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Nos fins de semana, textos relacionados com a casa e a forma que a vivemos.

30/12/2012 | escritório
Tradução por Ligia

Por Lou.
Foto: María.

O que é uma casa?
Minha mãe viaja o tempo todo e em cada quarto que ocupa gera-se uma ordem. É isso? É uma casa meio móvel que se leva internamente? Ou é uma mistura de estilos da convivência? meu sofá, seu quadro, uma união imprevisível. É o que jogamos fora ou é o que compramos? Talvez seja as pessoas que contêm. Minha tia vivia em duas casas: uma suja e cinza no inverno, e outra limpa e feliz quando a visitávamos. É um estado de ânimo? Um sábado a tarde com chuva é uma casa, mas com Sol não. Não? Ou é ao contrário?

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25/11/2012 | escritório
Tradução por Ligia

Por Lou
Foto: Violeta Renyi

Não sei bem como funciona a distribuição dos talentos na vida. Desconheço. Alguém sabe dançar, outro é o Messi…Para mim, a sub-categoria que mais me intriga é a dos talentos domésticos: a habilidade de fazer um banquete com as sobras de ontem, ou o dom de limpar os vidros sem deixar marcas, a graça de iluminar ambientes…Creio que tenho algumas virtudes, não me queixo, mas invejo a que me falta: a Mão verde.

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28/10/2012 | escritório
Tradução por Ligia

Por Lou.
Foto: Silke.

Se o trabalho invade, a casa espera. Suporta os papéis, não incomoda. Aceita a roupa suja, o pó, os vidros com chuva seca.
Se me apaixono, o ar corre. O fícus cresce, a rádio sobe.
E se viajo, tudo hiberna.

Somos um time, eu e a casa.
Compro flores pra ela, limpo o forno, aspiro.
E ela é legal comigo.

Mas algumas vezes brigamos.

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30/9/2012 | escritório
Tradução por Ligia

Por Lou.

Arrumo com a desculpa do encontro,
o goulash da amizade de cada ano.
Há flores, há velinhas, e no centro
da mesa bebidas que fazem mal.

Do nada, tudo é voz, tudo é gente
deixando seus casacos na cama;
um bando comendo direto da travessa
treze adultos numa festa de pijamas.

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26/8/2012 | escritório
Tradução por Ligia

Por Lou.
Foto: Silke.

Os lençóis estão supervalorizados. Já perceberam isso em outras partes do mundo e inventaram o edredom. Eu melhorei o sistema e ninguém reconhece: durmo diretamente sobre o mesmíssimo colchão. Bom, de vez em quando. Se a minha mãe ficasse sabendo, gritaria comigo e perguntaria se estou bem, se está acontecendo algo comigo. Pois sim, às vezes acontece algo comigo e minha auto estima me abandona, e outras vezes simplesmente acontece que tiro os lençóis, limpo a casa, aproveito a vida e quando a noite chega estou muito cansada para me dar ao trabalho de colocá-los. Acolchoado e apago a luz. Porque é fácil mordendo uma torrada e vestindo uma jaqueta, esticar a cama já arrumada, mas outra coisa é alisar organizadamente as camadas começando do zero. TODO MUNDO SABE.

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22/7/2012 | escritório
Tradução por Ligia

Por Lou.


De vez em quando, apesar de muitas mudanças, quando penso em minha infância, penso em uma casa em especial. Era enorme e estava cheia de portas e armários. Cada quarto tinha uma parede com um guarda-roupa que ia até o céu. De dia, era esconderijo de jogos; de noite, eco de canos. Desde os armários até as gavetas-cabeceira, quase cada móvel e parede deste andar ocultavam estantes. Me lembro que tínhamos um sapateiro embutido, e também um baú secreto: a escada de acesso estava acima do armário das roupas brancas, mesmo que só nós sabíamos. Se não tínhamos espaço para guardar coisas, improvisávamos no teto.

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30/6/2012 | escritório
Tradução por Ligia

Por Lou.

Café com leite, o pão e o jornal. Diminui a estufa, aumenta o rádio. Baixo a série, rego as plantas. Comemos na panela, tomo banho.

Assim jogados. Quando começamos? Quebra-cabeças ou generala? Dois cochilos torpes, mal abrigados. Não aconteceu se não lembramos.

Um livro triste, bolo caseiro, eu a novela, você seus contatos.

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26/5/2012 | escritório
Tradução por Ligia

Por Lou.
Foto: Matías Rodríguez.

Quando eu era pequena queria viver numa casa com escadas, porque as casas dos programas de televisão que eu via sempre tinham escadas. Arrastava a cama do meu quarto para que a cabeceira encostasse na parede da porta, porque observava isso nas novelas. E sonhava dormir numa beliche e ter um telescópio, como as crianças dos filmes de aventuras. Ou ocupar um sótão abandonado, como A pequena Princesa.

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29/4/2012 | escritório
Tradução por Ligia

Por Lou.
Foto: María.

Entra luminária, sai quadro.
Sai quadro, entra cortiça.
Pinto moldura, afasto almofada.
Sofá em oferta, avanço a sesta.
(Mas perco espaço.)
Tiro flores, entra fruteira.
Lâmpada de baixo consumo, retrocedo dez casas.
Mudo de PC para laptop, recupero espaço.
Acerto a cor da parede, escolho de novo.

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31/3/2012 | escritório
Tradução por Ligia

Por Lou.

A casa não avança e o plano vai ficando cada vez mais lento. Acho que é a época. Procuro idéias na internet, e nada: a linha entre a inspiração e a frustração é muito fina. Plano B: jogo coisas no lixo e presenteio outras. Que não se trate de organizar, e sim de inovar. Plano P: passo horas olhando a parede branca e sonho com opções meio impossíveis. Plano Z: vou dormir com vontade de mudar de casa.

Deitada, vejo o canto e imagino um escritório. Não. Uma luminária. Um pequeno sofá. Menos.

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